Quais escolhas 1 do draft da NBA deram mais certo? E quais deram muito errado?

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O draft da NBA é o momento do ano em que as franquias da Liga de Basquete dos Estados Unidos têm a chance de recrutar novos talentos para a próxima temporada. O mecanismo é a principal porta de entrada dos atletas para a competição e existe desde 1947, mas sua história é marcada por uma série de escolhas ora acertadíssimas, ora controversas. 

Há de se convir: em muitas ocasiões é difícil saber se um jovem que se destacou no circuito universitário conseguirá repetir o sucesso no âmbito profissional. Além disso, existe a pressão inerente daquele que é a “primeira escolha” de cada ano – seja para o atleta, seja para a franquia que tem o direito da escolha. 

Mas você sabe quais foram as melhores primeiras escolhas da história do draft? E quais foram as que floparam, de equipes que deixaram passar jogadores que se tornaram lendas da NBA e acabaram optando por atletas que não vingaram na Liga? 

Listaremos a seguir as melhores e as piores escolhas da história deste mecanismo de recrutamento, mas com um aviso importante: o draft de 1984 não será considerado neste levantamento. 

Isso porque, na ocasião, o primeiro selecionado foi o pivô Hakeem Olajuwon, pelo Houston Rockets. O nigeriano virou lenda na NBA, foi duas vezes campeão, MVP das finais de 1994 e 95, MVP da temporada regular de 1994, participou do All-Star Game em 12 ocasiões… impossível dizer que foi uma escolha ruim no draft, concorda? O problema é que no mesmo ano de 1984 o Chicago Bulls, terceira equipe na ordem de seleção, draftou um tal de… Michael Jordan. 

Quem se deu realmente mal na ocasião foi o Portland Trail Blazers, que era o segundo a escolher e queria se reforçar com um pivô. Como já haviam perdido Olajuwon, deixaram Jordan passar e ficaram com Sam Bowie. Esta é uma excelente mostra de como o draft pode ser traiçoeiro. 

Quais as melhores primeiras escolhas do draft da NBA? 

1969: Lew Alcindor (Milwaukee Bucks) 

Talvez tenha sido a maior mamata da história, uma vez que o pivô grandalhão de 2,16 m já tinha, na época, diversos recordes do basquete universitário dos Estados Unidos. Melhor para os Bucks, que draftaram Lew e viram ele se tornar ninguém menos do que o genial Kareem Abdul-Jabbar, seis vezes campeão da NBA, seis vezes MVP de temporada e 19 vezes presente no All-Star Game. 

Lew Alcindor mudou oficialmente seu nome em 1971, após se converter ao islamismo. Abdul-Jabbar atuou pelos Bucks entre 1969 e 1975, e por lá conquistou o título justamente de 71. Ele trocou Milwaukee por Los Angeles e defendeu os Lakers até se aposentar, em 1989, com 42 anos – e com mais cinco aneis de campeão (1980, 82, 85, 87 e 88). 

1979: Earvin “Magic” Johnson (Los Angeles Lakers)

O armador que fez uma dupla histórica com Kareem Abdul-Jabbar na década de 1980 foi a primeira escolha do draft de 79, e os Lakers não demoraram para colher frutos. Magic Johnson foi crucial para a conquista do título de 80, sendo eleito inclusive o MVP das finais daquele ano. 

Johnson conquistou ainda os títulos das temporadas de 82, 95, 87 e 88 e deixou a NBA em 91 após testar positivo para HIV. No entanto, em 92, ele ainda integrou o Dream Team dos Estados Unidos na conquista da medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em um time que contava com nomes como Michael Jordan, Larry Bird, Scottie Pippen, David Robinson, Karl Malone, Charles Barkley, John Stockton, Patrick Ewing… 

1987 e 1997: David Robinson e Tim Duncan (San Antonio Spurs) 

Um raio talvez não caia duas vezes no mesmo lugar, mas uma primeira escolha brilhante de draft, sim. E foi o que aconteceu em San Antonio nos anos de 1987 e 1997, com as “Torres Gêmeas” David Robinson e Tim Duncan. 

Robinson foi o selecionado de 87. Apesar de ser presença frequente nas premiações de temporada da NBA, o pivô não conseguia levar os Spurs ao primeiro título da franquia na Liga. Isso só ocorreu depois da chegada do ala/pivô Duncan, escolha número 1 de 97. 

Juntos, eles fizeram uma das melhores parcerias defensivas da competição e conquistaram os títulos em 1999 e 2003. Robinson se aposentou em 2003, e Duncan ainda conquistou a NBA em 2005, 2007 e 2014. 

1992: Shaquille O’Neal (Orlando Magic) 

O pivô de 2,16 m foi a escolha do Magic no draft de 1992 e não decepcionou: naquela temporada, Shaq foi o primeiro novato desde Michael Jordan em 84 a começar como titular no All-Star Game. O Orlando acertou em cheio ao recrutar Shaq… o problema foi perdê-lo como agente livre (sem contrato) em 96 para os Lakers. Em Los Angeles, ao lado de Kobe Bryant, ele conquistou três de seus quatro títulos, com o tri entre 2000 e 2002. O’Neal ainda foi campeão em 2006 pelo Miami Heat. 

2003: LeBron James (Cleveland Cavaliers)

Trata-se de um dos maiores nomes de todos os tempos do basquete e que, prestes a completar 39 anos, ainda tem muita sede de recordes. LeBron, que é o maior pontuador da história da NBA, se prepara para disputar em 2023/24 a sua temporada de número 21 no torneio (uma a menos do que Vince Carter, quem mais jogou temporadas na NBA). 

LeBron foi capaz de tirar os Cavs do ostracismo e transformar a franquia de Ohio, seu estado natal, em um time campeão. Os Cavaliers, que nunca haviam conquistado sequer um título de Conferência na história, alcançaram o feito pela primeira vez em 2007 (e depois quatro vezes entre 2015 e 2018, na segunda passagem de James). 

Pelos Cavs, LeBron conseguiu “somente” um título da NBA. Seus outros foram com o Miami Heat (2012 e 2013) e com o Los Angeles Lakers (2020). Além disso, James disputou por 19 vezes seguidas o All-Star Game (ficou fora apenas em sua temporada de estreia na NBA). 

E quais as piores primeiras escolhas do draft da NBA?

1952: Mark Workman (Milwaukee Hawks) 

O ala/pivô Mark Workman era um grande atleta universitário, não só no basquete como também no atletismo – tanto que, em um determinado torneio de lançamento de dardo, chegou a superar Bob Mathias, bicampeão olímpico do decatlo (em 1948 e 52). Mas na NBA sua carreira não aconteceu: ele ficou apenas duas temporadas na Liga e se aposentou em 1954. 

Naquele mesmo ano de 52, o draftado que mais se destacou na história da NBA foi o também ala/pivô Clyde Lovellette, que foi três vezes campeão do torneio: em 54 pelo Minneapolis Lakers e em 63 e 64 pelo Boston Celtics. 

1972: LaRue Martin (Portland Trail Blazers) 

Se você leu no início deste artigo que os Blazers deixaram passar Michael Jordan em 1984 por Sam Bowie, saiba que a franquia de Oregon tem mania de fazer escolhas no mínimo azaradas no draft. Em 1972, 12 anos antes do episódio Bowie-Jordan, a franquia abriu o processo de recrutamento de calouros ficando com o pivô LaRue Martin.

Martin jogou apenas quatro temporadas na NBA e decidiu se aposentar. Ele nunca escondeu o peso que sentiu por ter sido a escolha número 1 do draft e por frequentemente ser chamado de “a pior escolha da história do processo seletivo”. Naquele ano, três franquias se deram bem e pegaram jogadores que marcaram história na Liga: Buffalo Braves, com Bob McAdoo (2º); Boston Celtics, com Paul Westphal (10º); e o Milwaukee Bucks, com Julius Erving (12º). 

1978: Mychal Thompson (Portland Trail Blazers)
Acredite se quiser, a franquia de Portland fez outra “loucura” no draft seis anos depois de selecionar LaRue. O Portland teve a primeira escolha de 1978 e optou pelo ala/pivô Michael Thompson, deixando passar o ala Larry Bird (sexta escolha daquele ano, feita pelo Boston Celtics). Bird foi um dos maiores nomes da história da Liga, faturou três aneis de campeão e foi três vezes MVP da temporada regular. 

Mychal Thompson, em sua carreira, até chegou a ser duas vezes campeão da NBA, em 87 e 88. Na ocasião, ele era reserva de Kareem Abdul-Jabbar no Los Angeles Lakers. 

1995: Joe Smith (Golden State Warriors)
Um nome tão simples que acabou chamando pouca atenção durante as 16 temporadas que disputou na NBA, não fosse um medo detalhe em sua história: ter sido a primeira escolha do draft de 1995, pelo Golden State Warriors. 

Naquele mesmo ano, um nome menos comum acabou sendo a quinta escolha, mas marcou muito mais história na Liga: Kevin Garnett, quinto selecionado, pelo Minnesota Timberwolves. Ele foi MVP da temporada 2004 pelos Wolves e campeão em 2008 pelo Boston Celtics. 

1996: Allen Iverson (Philadelphia 76ers)

Pode parecer loucura dizer que Allen Iverson foi uma péssima escolha em um draft: afinal, o armador inspirou uma série de atletas na Liga e ainda carregou o Philadelphia 76ers ao vice-campeonato da NBA em 2001 – sendo o MVP daquela temporada. Acontece que, em 1996, o draft tinha outros dois grandes nomes que brilharam mais ainda na história. 

Um deles foi selecionado pelo Phoenix Suns na posição 15: o armador canadense Steve Nash, MVP das temporadas 2005 e 2006. O outro foi recrutado um pouco antes, pelo Charlotte Hornets, em 13º: Kobe Bryant.

Na verdade, os Hornets é que acabaram fazendo a maior loucura relacionada ao draft de 1996: a equipe cedeu Kobe para o Los Angeles Lakers para receber o pivô Vlad Divac. Bryant, não custa relembrar, foi cinco vezes campeão da NBA pela franquia californiana, duas vezes MVP das finais, uma vez MVP de temporada regular e disputou 18 All-Star Games. 

1998: Michael Olowokandi (Los Angeles Clippers)

O Los Angeles Clippers apostou no pivô nigeriano para ser a sua escolha na abertura do draft de 1998. Olowokandi até pode ser lembrado por ter solidez defensiva, mas não chegou a deixar seu nome cravado na história da Liga como outros atletas recrutados no ano – simplesmente o ala/armador Vince Carter (quinta escolha), o ala/pivô Dirk Nowitzki (nona) e o armador Paul Pierce (décima). 

2001: Kwame Brown (Washington Wizards)

Imagine a pressão de ser draftado simplesmente pelo maior jogador de todos os tempos? Foi o que aconteceu com o pivô Kwame Brown, escolha número 1 de 2001 pelo Washington Wizards – que tinha Michael Jordan como diretor e acionista minoritário. Brown, porém, não vingou – nem mesmo tendo o próprio Jordan como colega de time dentro de quadra. 

Naquele mesmo ano, o draft estava recheado de nomes interessantes: o pivô Pau Gasol (terceira escolha), o ala Zach Randolph (19ª) e o armador Tony Parker (28ª). Até a segunda escolha do Wizards, a 31ª no geral, se deu melhor na Liga: o armador Gilbert Arenas. 

2007: Greg Oden (Portland Trail Blazers) 

Mais uma primeira escolha para Portland, mais um pivô sendo selecionado e mais uma vez a franquia sendo lembrada por escolhas péssimas no draft. Greg Oden foi o escolhido, mas sua carreira acabou marcada por uma série de contusões graves – inclusive, ele sequer estreou na temporada em que foi draftado. Oden deixou a NBA em 2014 e se aposentou do basquete profissional em 2016, com 28 anos. 

Em 2007, quem os Blazers deixaram escapar foi o ala Kevin Durant, segunda escolha, que foi para o Seattle Supersonics e logo em sua primeira temporada foi eleito calouro do ano. 

2013: Anthony Bennett (Cleveland Cavaliers) 

Se em 2003 os Cavs acertaram em cheio com LeBron, dez anos depois a franquia bobeou com Anthony Bennett (que levou cinco jogos para acertar o seu primeiro arremesso de quadra). O ala canadense ficou somente um ano em Cleveland e acabou envolvido em uma troca que o levou ao Minnesota Timberwolves. Em janeiro de 2017, deixou a NBA após cinco temporadas. 

Em 2013, quem estava disponível no draft era um ala grego de nome difícil de pronunciar e de escrever: Giannis Antetokounmpo, que foi só a 15ª escolha pelo Milwaukee Bucks. Ele foi MVP das temporadas regulares de 2019 e 2020 e campeão da temporada 2021.